Sunday, 8 January 2012
Saturday, 7 January 2012
Jean Cocteau e o travelling em Le Sang d'un Poète
Em 1932, Le Sang d'un Poète ficou célebre, além de muitos outros aspectos, por um famoso travelling de Cocteau da personagem do poeta, de tronco nu, submergido por uma penumbra obscura. Contudo, vendo a 7ª Arte como uma forma interessante de tornar o sonho, o surreal, o subjectivo em objectivo, Jean Cocteau pouco sabia de como fazer cinema, e desconhecia o facto de que para se fazer um travelling eram necessários carris. Quando (penso eu) Jean Renoir lhe perguntou como é que tinha feito aquele travelling tão diferente e fantástico, Cocteau limitou-se a explicar que pôs o actor numa plataforma e o puxou em direcção à câmara, ficando esta imóvel. Isto só mostra como Jean Cocteau era, no seu âmago, um poeta e como uma encantadora e refrescante falta de experiência e conhecimentos leva à criação de algo novo e inventivo, numa tentativa de materializar o sonho.
Isto é motivo suficiente para pôr um sorriso nos lábios e dar alguma esperança a auto-didactas que querem fazer cinema, música, literatura, o que quer que seja, simplesmente por um amor incondicional e indispensável ao que os faz mover. Art for art's sake.
Jean Cocteau, Un Glorieux Méconnu
Autoportrait d'un Ínconnu: Jean Cocteau
Cocteau, o artista que me continua a intrigar cada vez mais. E o que eu gostava mesmo agora era isto.
Cocteau, o artista que me continua a intrigar cada vez mais. E o que eu gostava mesmo agora era isto.
Friday, 6 January 2012
And now for something completely different
In 1971, Jean-Luc Godard and the Dziga Vertov Group were given a week's budget to make a commercial for Schick after-shave. In half a day they made this.
And what a Bitter Victory it was
Que obra prima. E assim começo (finalmente) a ver onde está o verdadeiro cinema em Nicholas Ray.
Uma história de cobardia e coragem, de tudo o que é (des)humano, sob o cenário vazio do deserto, onde a câmara movimenta-se tão fluidamente que parecem não existir barreiras e todo o sofrimento e angústia das personagens começa a comer por dentro o público.
Por mais do que breves segundos, nesta cena a minha respiração abandonou-me.
Bigger Than Life
Good mirror:
Bad mirror:
Good praying:
Bad praying:
tirado daqui
Os jogos de luz de Ray e as sombras, aquelas sombras assustadoras e monstruosas:
Ah e claro, James Mason. Meu deus, James Mason!
A outra cortina de Jacques Demy
Uma tarde passada a ver a relação carinhosa de Agnès Varda com Jacques Demy em Jacquot de Nantes e L'Univers de Jacques Demy.
Jacquot de Nantes é uma prenda de Varda para Demy, que morreu 10 dias após a conclusão do filme, e mostra a enternecedora infância do cineasta que desde (mais ao menos) os 9 anos já fazia os seus próprios filmes com desenhos em película, recorrendo, basicamente, ao stop motion. É no filme de Agnès Varda que, para além de vermos estas pérolas que são os primeiros filmes de um jovem Jacques Demy (que são verdadeiramente impressionantes), vemos a paciência que este sempre teve na sua dedicação de corpo e alma ao Cinema. Demy era, efectivamente, um homem paciente e interessado que, depois de vários anos dedicados inteiramente ao Cinema, após grandes lutas com o seu pai que em jovem o obrigou a ser mecânico, no final da sua vida dedicou-se à música, à pintura, entre outras artes.
A musicalidade dos seus filmes estão presentes de uma forma muito própria, pois na verdade este é um filme de Varda sobre Demy, e a assinatura de Agnès está bem clara. É ela que torna Jacquot de Nantes num objecto filmíco precioso, único e muito característico.
Enfim, Agnès Varda mostra, de uma maneira gloriosa, a passagem de Jacquot, a criança ingénua e feliz no seio da sua família, para Jacques, o jovem (e mais tarde adulto) abalado pelos acasos da vida, pela guerra e pelos entraves criados pelo seu pai no seu desejo de seguir cinema como carreira.
Merci Agnès et Jacques
Monday, 2 January 2012
Saturday, 31 December 2011
Friday, 30 December 2011
La Grande Illusion
Uma maneira perfeita de acabar 2011 e encarar 2012.
Uma obra-prima, uma ode à humanidade e à simples felicidade que, mesmo assim, nos deixa desiludidos quando somos confrontados com a ilusão de que nos rodeamos e a triste conclusão de que pouco ou nada aprendemos.
Out there, children play soldier...
In here, soldiers play like children.
- Capitão Boldieu, ai o Boldieu.
Em Carnage, Polanski "brinca" com a angústia do público, da mesma maneira que a opinião pública tanto o tem espicaçado. Toda esta manipulação das ansiedades do público começa pelo facto de nós sabermos que o filme se passa todo ali, que toda a acção se concentra naquela sala, e mesmo que julguemos que sim, a verdade é que não estamos prontos para aquele ambiente cansativo e claustrofóbico (no melhor sentido possível) que nos vai acompanhar e torturar durante uma hora e vinte.
Quando as personagens saem daquele ambiente, no início sentimo-nos desconfortaveis, na antecipação de ver como voltam para aquele espaço onde sabemos que todas as explosões emocionais se vão dar. Mas quando nos aproximamos do fim, tal como as personangens, precisamos de respirar um bocadinho, de sair dalí.
A intensidade do filme de Polanski é tão grande, não pelas imagens, não pelo drama, mas pelos diálogos rápidos, pelo caos, pelas reflexões feitas umas em cima das outras, que no fim saí de lá com uma grande dor de cabeça. Mas posso dizer, com todas as certezas, que esta foi a única dor de cabeça que alguma vez gostei de ter. Este é um dos grandes feitos de Polanski em Carnage: nós encarnamos, inconscientemente, as personagens e todos os seus dramas e neuroses.
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