Saturday, 1 October 2011

Souvenir d'un avenir, Chris Marker
O Coraçado Potemkin (Bronenosets Potyomkin) chegou a mim não contrabandeado num carrinho de bebé mas o impacto foi o mesmo. Agora percebo o porquê da polémica à volta deste filme, o porquê de Einsenstein ser louvado pela sua montagem revolucionária, o porquê deste ser "possivelmente, um dos filmes mais analisados da história do cinema", o porquê daquela cena nas escadas em Odessa ser constantemente analisada, comentada e mencionada. E enfim, o porquê de alguns filmes só poderem ser vistos no grande ecrã. Como Manuel Cintra Ferreira escreve na folha da Cinemateca, "um dos momentos fundamentais da história do cinema, um daqueles em que a linguagem deu um salto qualitativo de dimensões gigantescas". Eisenstein, ajoelho-me aos teus pés.

"Também a construção do filme contribuiu para uma "revisão" ou "falsificação" como queiram, dos acontecimentos do Potemkine. Tudo o que se escreveu sobre o motim, depois do filme, teve em conta a sua posição, isto é, a verdade histórica deu lugar à "verdade" da lenda. Eisenstein conta mesmo que recebeu uma carta de um dos marinheiros do Potemkine que se amotinaram agradecendo-lhe o filme que fizera e afirmando que era um dos que tinha sido metidos debaixo da lona. Eisenstein afirma que não teve coragem de lhe responder que esse episódio fora inteiramente inventado por ele. Uma ópera composta posteriormente sobre o motim seguiu o filme de Eisenstein em vez dos acontecimentos reais. Que é isto senão exemplo do que John Ford ilustraria ao longo de toda a sua carreira e que culminaria no The Man Who Shot Liberty Valance: Quando a lenda ocupa o lugar da verdade, publica-se a lenda ?"
Manuel Cintra Ferreira

Monday, 26 September 2011

You talkin' to me?

Léonard a une sensibilité de gauche

"Avoir une sensibilité de gauche c'est aimer perdre son temps, aller au cinéma plutôt que de travailler... faire des choses inutiles."
(ironia das ironias, encontrei isto enquanto devia estar supostamente a trabalhar)
Le tout début d'une histoire
Est meilleur qu'un vieux Godard

Sunday, 25 September 2011

Steve Chow

Steve Chow é um designer gráfico que faz cartazes de cinema très jolis para a Pacific Cinemathéque e para as capas de algumas edições da Criterion Collection, entre outras coisas.
Mais trabalhos dele aqui.
P.S: Aconselho vivamente a todos os cinéfilos irem à exposição da Cinemateca intitulada Cinema em Portugal: Os primeiros anos. Pequena mas concisa, esta é uma exposição muito cativante, com informação interessante sobre os primórdios do cinema em Portugal e não só, estando expostas invenções de Edison e dos irmãos Lumière, objectos coleccionáveis como albuns de recortes, câmaras de filmar e projectores, entre outras coisas, como cartazes de cinema tão únicos como os de Steve Chow. Atenção que a exposição encerra dia 2 de Outubro. Allez allez!

Saturday, 24 September 2011

La tour Eiffel t'ennuie déjà. Est-ce la tour Eiffel ou bien moi ?
Esta ficou-me na cabeça o dia todo. Culpo-te a ti Honoré e a ti Joanica.

Tuesday, 20 September 2011

Há (poucos) dias assim.
Primeiro surge a programação da 12ª Festa do Cinema Francês com filmes de nomes como Leos Carax, Sylvain Chomet, Buñuel, Fellini, Jacques Demy, Bertolucci, Julien Duvivier, a presença de Anouk Aimée, a exibição da cópia restaurada de Le Voyage Dans la Lune, a estreia de The Artist e um programa paralelo na rtp2 de ver e chorar por mais. Já não chegava isso (entre outros nomes que não vou enumerar senão isto nunca mais acabava) surge um lindo cabeçalho de notícias a dizer "Zon Lusomundo anuncia sala em exclusivo dedicada ao cinema francês". E para pôr mesmo a cereja no topo do bolo também começam a surgir algumas notícias sobre o Lisbon & Estoril Film Festival, onde há tantos mais nomes e filmes bons que nem me atrevo a começar a os enunciar.
Contudo, não deixa de ser triste continuarem a surgir notícias como esta segundo a qual  "A Cinemateca - Museu do Cinema, em Lisboa, vai deixar de ser um instituto público e passará a existir como Entidade Pública Empresarial"..

Monday, 19 September 2011

Rome Cinema

The Ultimate Hitch Cook Book

Photobucket Sinto falta do Antoine Doinel. Também eu quero correr ao som de Jean Constantin. Está na hora de uma maratona Antoine Doinel, Antoine Doinel, ANTOINE DOINEL.
Poster de L'Atalante de Jean Vigo, design de Michel Gondry (1990)

Sunday, 18 September 2011

Beginners by Mike Mills

Há muito tempo que não gostava tanto de um filme que tivesse visto nos cinemas. Sem expectativas astronómicas, Beginners surpreendeu-me pela sua singularidade e criatividade, tanto no modo de contar uma história como na forma de conjugar o cinema com outras vertentes e formas artísticas. E também pelo jazz.
Fiquei tão apaixonada pelo filme que, parece-me, que a minha próxima compra vai ser esta.
Depois de Midnight in Paris vem Sous les toits de Paris do mestre René Clair. Começando com o travelling tão famoso feito sobre os tectos de um bairro de Paris dos anos 20/30, a simplicidade da história deste filme é o que o acaba por tornar tão especial. O grande uso da música em cenas sem praticamente nenhum diálogo denuncia ainda o apego aos filmes mudos, mas o que podia ser uma fraqueza torna-se num dos melhores atributos de Sous les toits de Paris. O conjugar dos filmes mudos com os falados dá origem a cenas memoráveis como a do vídeo em cima onde expressões faciais e reacções das personagens dizem tanto (ou mais) como mil palavras. Quando são precisas palavras elas surgem, mas entretanto a chanson française e a linguagem corporal chegam para falar pelas personagens. E não se trata só da chanson française, é tambem mais qualquer coisa, é Albert Préjean. Música francesa, pessoas simples e uma história de amor, é isso que se quer da vida e é isso que René Clair sabe tão bem filmar.