Sunday, 18 September 2011

Depois de Midnight in Paris vem Sous les toits de Paris do mestre René Clair. Começando com o travelling tão famoso feito sobre os tectos de um bairro de Paris dos anos 20/30, a simplicidade da história deste filme é o que o acaba por tornar tão especial. O grande uso da música em cenas sem praticamente nenhum diálogo denuncia ainda o apego aos filmes mudos, mas o que podia ser uma fraqueza torna-se num dos melhores atributos de Sous les toits de Paris. O conjugar dos filmes mudos com os falados dá origem a cenas memoráveis como a do vídeo em cima onde expressões faciais e reacções das personagens dizem tanto (ou mais) como mil palavras. Quando são precisas palavras elas surgem, mas entretanto a chanson française e a linguagem corporal chegam para falar pelas personagens. E não se trata só da chanson française, é tambem mais qualquer coisa, é Albert Préjean. Música francesa, pessoas simples e uma história de amor, é isso que se quer da vida e é isso que René Clair sabe tão bem filmar.

Friday, 16 September 2011

C'est génial.

Saí de Paris para voltar para lá muito rapidamente, tudo graças ao Woody. C'est toujours Woody. Aquela cena inicial com várias vistas de Paris ao som da música de Sidney Bechet fez o meu coração palpitar (quase) tanto como na cena inical de Manhattan, com Gershwin e Nova Iorque a preto e branco. Midnight in Paris é uma carta de amor de um cinéfilo, de um ávido leitor, de um apreciador de música, enfim, de um artista, à cidade dos artistas. Podem acusar Woody Allen de ter criado um filme muito cliché, mas é assim que é. Os artistas correm sempre o risco de over-romanticize esta cidade que tanto os faz suspirar e tanto lhes deu ao longo dos tempos. Paris é assim para Woody Allen, e para mim também. Como Adriana diz num diálogo que respira paixão por uma cidade mágica como Paris "That Paris exists and anyone could choose to live anywhere else in the world will always be a mystery to me.". Agora vamos todos para as ruas de Paris apanhar chuva ao som de Cole Porter.

Nostalgia is denial - denial of the painful present... the name for this denial is golden age thinking - the erroneous notion that a different time period is better than the one ones living in - its a flaw in the romantic imagination of those people who find it difficult to cope with the present.
(o pedante é capaz de ter razão)

Monday, 5 September 2011

this obsession with Oscar Wilde

O Oscar Wilde faz isto às pessoas. Wilde Salome passou por Veneza e após ver o trailer começo-me a sentir parecida com o Al Pacino em certos aspectos. Enquanto o filme não vem continuo a levar A Letter to Bosie na minha mala, desta vez numa longa viagem para a terra prometida, neste caso, Paris.

Wednesday, 31 August 2011

Je vais vous raconter une petite histoire

"Un des plus beaux films jamais réalisés sur l'idée de jeunesse"

Agora algo completamente diferente de Essential Killing.

Vigo love

Já não chegava eu querer isto to death depois vem o Gondry fazer um tributo ao Jean Vigo e descubro um trailer de um filme, Vigo: Passion for Life, sobre a relação apaixonante entre o Jean Vigo e a sua mulher, Lydu.

Wednesday, 24 August 2011

On est à Londres?


(uma fotografia unica e fascinante, uns diálogos de mestre e Jean-Pierre Léaud dum lado e Pierre Étaix do outro; c'est ça que tiro deste trailer)

Tuesday, 23 August 2011

The man

Não me importava nada de fazer parte daquela private listening party mas como não fui convidada fico-me pelo youtube
(e é por estas e por outras que este senhor é tão grandioso)

Saturday, 20 August 2011

Do it the Broadway way!

[Esta é a minha cara depois de ler esta notícia. Isto é demais para o meu ticky-ticker, anda tudo a fazer dream teams (como estes também!)]
Though comedies were once just as common and successful on Broadway as dramas and musicals, sometime around the 1980s they started disappearing. Now it seems that if no one’s singing, no one’s laughing. Last season, only two traditional nonmusical comedies opened, a revival from 1946 and one from 1895! But Broadway makes up for lost time with this fall’s Relatively Speaking, a trio of one-act comedies by Ethan Coen, Elaine May, and Woody Allen. The works, featuring Julie Kavner, Ari Graynor, and Marlo Thomas, are loosely linked by a family theme: Allen’s contribution, Honeymoon Motel, is set at a wedding; May’s George Is Dead at a funeral; and Coen’s Talk Therapy, well, in Coen-land. It will fall to John Turturro, making his Broadway directing debut, to bring coherence to three rather different comedic styles: Allen’s existential juggling, May’s sly warmth, Coen’s creepy hilarity. Asked which playwright is most likely to drive him crazy, he says, “If you expect me to answer that question, I would never have gotten the job.”

The official announcement of the production did not specify titles or plotlines for the three plays, but The New York Times reports that Allen’s play is titled Honeymoon Motel and was written within four weeks after the Oscar-winning writer and director received a call from producer Julian Schlossberg. “It’s a broad comedy, for laughs, no redeeming social value,” Allen said in an interview. May’s play is reportedly titled George Is Dead, and Coen’s is called Talking Cure. A website for Relatively Speaking says that the plays are "about mothers and daughters, husbands and wives, parents and children...a heartfelt and hilarious evening of one-act plays with a common bond: the insanity that can only come from family."

Monsieur Hulot! Votre bicyclette!

Porque não se pode falar de Tati sem se falar de bicicletas fica aqui um slideshow de Design de bicicletas clássicas ao longo do século passado que é um mimo.

Friday, 19 August 2011

This is a premium film!

Everything is Illuminated, Liev Schreiber
My name is Jonathan!

Este vídeo captura na perfeição o espírito do filme Orphée pelo qual fiquei completamente hipnotizada. Jean Cocteau, o teu mundo de magia e tu fascinam-me. Venham daí mais filmes e livros deste senhor de nariz imponente.

L'univers de Jean Cocteau [Orphée et Le Grand Écart]

E aqui têm como o encontrámos no começo do livro. Ele resiste. Voltado a ser Jacques, fita-se no espelho.
Um espelho não é água de Narciso; não mergulhamos lá. Jacques encosta a ele a cara e o seu hálito esconde aquele rosto pálido que ele detesta.
 
O sono não está às nossas ordens. É um peixe cego que sobe das profundezas, uma ave que se abate sobre nós.
Sentia nadar o peixe em volta, fora dos limites. A ave fechava as asas, pousava à beira da insónia, voltava o pescoço, alisava as penas, patinhava, não entrava.

O sono tem o seu universo, as suas geografias, as suas geometrias, os seus calendários. Acontece que nos reporta a antes do dilúvio. Então encontramos uma misteriosa ciência do mar. Nadamos, e julgamos voar sem esforço.

[Stills do filme Orphée e excertos do livro Le Grand Écart,
ambos de Jean Cocteau]

Summer reading

Le Grand Écart (Desatino) de Jean Cocteau
Jacques Forestier chorava facilmente. O cinematógrafo, a música ordinária, um folhetim, arrancavam-lhe lágrimas. Não confundia estas falsas mostras do coração com as lágrimas profundas. Aquelas parecem correr sem motivo.