Thursday, 5 December 2013

dúvidas de uma estudante de cinema

"Il y a le visible et l’invisible. Si vous ne filmez que le visible, c’est un téléfilm que vous faites."
- Jean-Luc GODARD

quando o pedro costa escreve


“Nha cretcheu, meu amor, O nosso encontro vai tornar a nossa vida mais bonita por mais trinta anos. Pela minha parte, volto mais novo e cheio de força. Eu gostava de te oferecer 100.000 cigarros, uma dúzia de vestidos daqueles mais modernos, um automóvel, uma casinha de lava que tu tanto querias, um ramalhete de flores de quatro tostões. Mas antes de todas as coisas bebe uma garrafa de vinho do bom, e pensa em mim. Aqui o trabalho nunca pára. Agora somos mais de cem. Anteontem, no meu aniversário foi altura de um longo pensamento para ti. A carta que te levaram chegou bem? Não tive resposta tua. Fico à espera. Todos os dias, todos os minutos, aprendo umas palavras novas, bonitas, só para nós dois. Mesmo assim à nossa medida, como um pijama de seda fina. Não queres? Só te posso chegar uma carta por mês. Ainda sempre nada da tua mão. Fica para a próxima. Às vezes tenho medo de construir essas paredes. Eu com a picareta e o cimento. E tu, com o teu silêncio. Uma vala tão funda que te empurra para um longo esquecimento. Até dói cá ver estas coisas mas que não queria ver. O teu cabelo tão lindo cai-me das mãos como erva seca. Às vezes perco as forças e julgo que vou esquecer-me.”

Friday, 29 November 2013

The Hermit

Kristoffer descobriu em Lisboa uma vida em fotografias e está a fazer dela um filme
Kristoffer pretende mostrar como estamos constantemente a deparar-nos com encruzilhadas e mudanças de caminho. “Muita gente já teria visto os diapositivos quando passei por eles, mas viram-nos apenas como lixo. Isso acontece-nos constantemente. Acho que devemos parar mais, esgravatar, procurar, descobrir”. Ao ver os diapositivos um a um, ao revê-los e ao ganhar familiaridade com aquelas pessoas e com aquelas paisagens, Kristoffer foi-se impressionando com uma evidência: “a de quão curta e vulnerável é a nossa vida”
Que marcas deixamos verdadeiramente?, questionava-se enquanto via as imagens de uma vida preenchida que “desaparecera” em dois sacos de papel, convicto de uma coisa: “ao ficcioná-la, porém, ela ganhará nova existência”. Esse é agora o trabalho de Kristoffer Sandberg. Transformar-se em Nuno Ferreira até que Nuno Ferreira apareça. Ou melhor, até que apareça o homem que tanto fotografou ou aquele que Kristoffer Sandberg construirá agora, viajando país fora em busca do que está para lá dos diapositivos da Praça das Novas Nações.
trailer aqui &
história por detrás deste filme aqui

Monday, 18 November 2013

a mesma doce inocência

Les Vacances de Monsieur Hulot, Jacques Tati
 
Ohayo, Yasujiro Ozu

Sunday, 17 November 2013


a doçura de um pequeno gesto

/ Setsuko Hara & Ozu
 
/ Homayoun Ershadi & Kiarostami

bom dia

"Ozu had a kind of loneliness about him. This loneliness showed in his films. No matter how cheerful he acted –– and I don’t mean he was putting it on, because he had a truly bright side, too. He enjoyed himself. He liked to do fun things. But at the same time, there was always this loneliness. That’s why I believed in him. Artists without an air of loneliness are boring."
- Hidemi Kon

Friday, 27 September 2013

danças e andanças deste mês

Two Maybe More, Marco Martins
Cantatas, Raimund Hoghe
 
ou a beleza inegável de cada movimento do corpo e dos espasmos da alma

Sunday, 8 September 2013

As palavras não exprimem muito bem os sentimentos. Estes tornam-se um pouco diferentes logo após serem exprimidos, um pouco deformados, um pouco idiotas.
 
HERMANN HESSE, Siddartha