Tuesday, 8 March 2011

Rear Window


Após alguns problemas técnicos o que tenho a dizer em relação a Rear Window é WOW! Todo o clímax do filme que está nesta cena é de pôr uma pessoa de olho bem aberto e com o coração na boca. O senhor Hitchcock sempre soube como entreter o público com um "nice murder". E a relação entre a personagem de Jimmy Stewart e Grace Kelly com cenas tão subtis e tão carregadas de paixão são verdadeiramente fantásticas, como em qualquer filme hitchcockiano. (A propósito disso está aqui um artigo interessante: Alfred Hitchcock's Sex and Sensibility) Havia tanto mais para discutir sobre este filme (como sempre) como a teoria de François Truffaut que diz que isto é uma alegoria para a relação entre o espectador e o ecrã (que não me parece que seja só dele) ou como Rear Window foi inspirado em casos reais de homens que mataram e desmembraram as amantes/esposas, mas como já é tarde e às vezes nem é preciso dizer nada vou limitar-me a adormecer na esperança que não haja um Jimmy Stewart de gesso na perna a olhar para mim.
"We've become a race of Peeping Toms."

NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOO!

Está uma pessoa a ver a Rear Window gravada na box e o raio da gravação pára exactamente NESTE MOMENTO! (é nestas situações que o YouTube dá jeito)

LANGLOIS

(Dedicatória de François Truffaut à Cinemate de Henri Langlois no filme Baisers Volés)
E a febre pelo cinema continuou.
Langlois, um documentário sobre o fundador da Cinemateca Francesa de Eila Hershon e Roberto Guerra é algo fora do comum.
Quando Langlois aparece não é para falar de filmes, porque segundo ele essa não é a sua função, a sua função é mostrar filmes, todos os filmes, os bons e os maus. Ele aperece sim a passear por Paris, a fazer-nos uma visita guiada pelos sítios que marcaram a sua juventude e a sua infância. Fala-nos como depois de ter acabado os trabalhos e querer ir brincar o pai o obrigava a ir buscar cigarros a uma tabacaria e que por isso mesmo durante 20 anos não fumou. Passa por Pigalle a boulevard dos cinemas onde passavam os filmes nas suas versões originais e onde passava aí os seus dias em jovem. Ouvimos a célebre história de quando um médico disse aos seus pais para o levaram para a montanha para apanhar ar e estes como não tinham dinheiro o levaram durante um mês todos os dias ao topo da Torre Eiffel, na altura em que se estava a gravar o filme Paris qui dort de René Clair. Através de testemunhos de pessoas como Ingrid Bergman, Jeanne Moreau, Jean Renoir e Catherine Deneuve entre outros ouvimos histórias das sessões secretas que Langlois fazia durante o controlo Nazi em França de filmes como o Bronenosets Potyomkin onde chegava mesmo a parar a projecção e dizer às pessoas que elas eram demasiado estúpidas para aquele filme que então se quisessem que lhes mostrava um filme estúpido (já me apeteceu tantas vezes fazer isso). E no meio disto (e tanto mais) são mostrados filmes mudos que marcaram a juventude de Langlois, como The Battle at Elderbush Gulch, Boobs in the Woods e Sous les Toits de Paris, no caso deste último onde se vê a Paris popular que ele tanto adora.
E haviam tanto mais para dizer deste pequeno documentário que nem chega a chamar-se longa-metragem tendo apenas 52 minutos (bem podia ser mais longa, porque havia de facto tanto mais para contar e explorar com este formato pouco convencional de documentário).
"Acreditas que sou Henri Langlois?
Não.
Henri Langlois não existe, só existe a Cinemateca."

P.S: É pena o documentário ser todo falado em inglês, seria preferível ouvir cada um a falar a sua língua mãe.

(Uma pessoa vê estas coisas e só lhe apetece passar os dias em Pigalle a ver filmes e de câmara em punho.)

Saturday, 5 March 2011

A propósito do ultimo post: Det sjunde inseglet de Bergman e Love and Death de Woody Allen.

Bergman, Truffaut et Godard

 
Ontem foi sessão dupla de Det sjunde inseglet (O sétimo selo) de Ingmar Bergman e Les Deux de la Vague de Emmanuel Laurent.
O cinema de Bergman nesta minha primeira incursão pela sua obra pareceu-me de proporções gigantes. O impacto de cada cena e o desespero que é ver outras é verdadeiramente de mestre. É um desespero patológico e deprimente mas verdadeiramente arrebatador (nota-se em todo este filme de ambiente biblíco mas especialmente em cenas como a da procissão dos auto-flageladores). Ah e é fantástico para mim notar quão Woody Allen admira Bergman estando durante todo o filme a lembrar-me de filmes como Love and Death e como é curioso que Allen transforma estas questões deprimentes em comédias existenciais.
Passando para algo diferente, Les deux de la Vague. Se bem que não tão diferente porque no documentário é mencionado como Truffaut e Godard admiravam Bergman cuja obra conheceram na célebre Cinemateca Francesa. Apesar de não acrescentar muito ao que já se sabe e poder ser muito mais aprofundado (o filme chega mesmo a ter apenas 90 minutos) logo que a música do Les 400 coups começa eu fiquei convencida. Sou um bocadinho imparcial é verdade, mas rever a Nouvelle Vague como se estivesse agora a acontecer é um prazer para qualquer cinéfilo que tanto deve a estes cineastas.

Monday, 21 February 2011

Des jolies choses pour mon chambre

Vamos lá a decorar o meu quarto com uma caixa de pipocas retro, um afia lápis máquina fotográfica/de filmar e uma ilustração da Berkley.

Saturday, 19 February 2011

Divorzio all'italiana due

E quando eu pensava que não podia ser melhor aparece-me isto lá no meio.

Divorzio all'italiana, Pietro Germi
Bellissimo! (nem me apetece escrever, este filme só mesmo visto!)

Wednesday, 16 February 2011

L'épine dans le coeur

Pronto, e agora assim começou uma pesquisa "tudo Gondry".
Depois de o ver a resolver um cubo de Rubik com os pés e com o nariz e de investigar os preços dos seus livros deparei-me com este novo filme dele. Não, não é o The Green Hornet. Chama-se L'épine dans le coeur e é um documentário sobre a sua familia, especialmente sobre a tia. Enjoy!

Tuesday, 15 February 2011

L'usine de films amateurs de Michel Gondry

Simplesmente não é justo. Não é.
Uma usine do Gondry, no Pompidou, gratuito, com o empréstimo do material todo e estes sets lindos gondrianos e 3 horas para fazer um filme (naquele meio o que não havia de faltar era inspiração).
Ah e depois ainda uma retrospectiva e carta branca a Michel Gondry.
Quero fugir.

JMG – Comment le projet est-il conçu pour l'occasion ?
MG – Les décors et accessoires sont adaptés au contexte, avec Paris en arrière-plan, car la structure de verre du Centre nous permet d'ouvrir les décors sur la ville. Ce que j'essaie d'ouvrir aussi, c'est la « fabrique » des films. Avec ce projet, les gens font eux-mêmes leur film, puis prennent du plaisir à le voir parce qu'ils sont dedans, parce qu'ils l'ont fait. C'est une tout autre expérience que de voir un produit qui a été fabriqué, soit par un artiste qui s'exprime, soit par une industrie qui tente de répondre aux attentes supposées du public…

Et puis lorsque je vivais dans le 13e arrondissement à Paris, il y avait ces petits cinémas, qui ont disparu. J'ai longtemps eu le projet secret de recycler l'une de ces salles en y installant un espace communautaire, où tout le monde aurait pu venir tourner ce qu'il voulait puis le projeter.
Michel Gondry

Monday, 14 February 2011

Woody.

Isto ficava muito bem na minha parede.
Posso não ser grande fã do Saint Valentin mas quando me aparecem vídeos bonitos como este até não parece assim tão mau.
If I'd knew that you were comin' I'd've baked a cake

Sunday, 13 February 2011

Films de week-end

 Dans Paris, Christophe Honoré
(Nunca faz mal rever um filme bonito como este.)
Les deux anglaises et le continent, François Truffaut

Friday, 11 February 2011

O mundo de um cineasta é marcado pela interligação entre a realidade e os sonhos. O cineasta usa a realidade como a sua inspiração, pinta-a com a cor da sua imaginação, e cria um filme que é a projecção das suas esperanças e dos seus sonhos.
Carta aberta de Jafar Panahi, Berlinale 2011